quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Palavras, apenas palavras

Faço uso das palavras, talvez porque tenha sido a forma mais rápida de alívio.
Alívio?
Sim!
Falar, cuspir fora aquilo que entalou, aquilo que naquele momento precisa ser dito.
Eu sei que elas, as palavras, não têm culpa das minhas inquietações.
Mas eu as encontrei desde cedo e então tento uma relação harmônica com elas.
Dias me vejo embaralhada em tantas letras, em amontoados de citações e confesso que em muitas destas, encontro respaldo para os meus devaneios.
Leio, sublinho, interpreto.
Ah, por falar em interpretação. Esta é a peça chave,  melhor dizendo, a palavra chave pra comunicação.
Não basta botar pra fora.
Ao ato da escrita, seja esta uma citação ou uma idéia,nos tornamos responsáveis pelo que propagamos.
Há que se ater ao fato de que o leitor pode muitas vezes dar uma interpretação diferente àquela da mensagem que queira passar.
Se bem que, posso usar de uma citação para ausentar-me de possíveis erros:  “ sou responsável pelo que eu digo, não pelo que você entende”. Desconheço o autor.
Sendo assim, por mais que esta frase sirva-me de consolo, ainda assim eu me preocupe com a interpretação.

Na era digital então...Ah, essa sim é mais difícil.
Adentro-me num breve relato sobre as palavras e a era digital.
Não é via de regra, mas tenho percebido que muitas conversas têm sido substituídas por caracteres.
Então, diante de uma conversa via meios internéticos, o cidadão finaliza esta com um “pode crê”!
Ao meu ver, este “pode crê”, é um “finalizador da conversa”, é um “to nem aí”, é um “to ocupado agora”. A interpretação que eu vou dar a este “pode crê”  é conforme aquilo que eu entendi, baseado nos caracteres anteriores. E algumas vezes pode ser um gerador de mal entendidos.
Eu prefiro a comunicação, quando em conversa, pessoal, quando muito, ao telefone em ligações mesmo.

Mas, voltamos as palavras.
Somos suscetíveis a informação. Ela muitas vezes nos agride. São muitas escritas. Em jornais, em redes sociais. E as palavras estão ali, fazendo parte principal de tudo isso.
Uma imagem pode ser transformada através das palavras.
Façamos então bom uso delas.
Não que eu faça. Seria pretensão minha afirmar isso. Mas eu as uso.
Acredito até, que de forma coerente.

E é através deste amontoado de letras que muitas vezes exponho um sentimento, uma angústia, alegria, declarações de carinho.
Não porque busco atingir algo ou alguém com isso, mas porque tenho necessidade disso.
De por pra fora, de amaciar faces rígidas com palavras motivadoras, e também de vomitar palavras indigestas quando o receptor assim espera.
Uso as palavras para expressar as minhas idéias. E não acho que as minhas idéias estão certas ou erradas.  Elas são relatos de uma mente inquieta.
Eu leio, interpreto e respeito o que vejo.
E assim espero que seja feito com os amontoados de letras que exponho.
Em resumo, quando eu escrever sobre sentimentos, comportamentos, lugares, pessoas, cheiros, negócios e etc, eu estou apenas expressando aquilo que eu gostaria de falar e por vezes não encontro a situação e condição para tal.
Não estou agredindo ninguém com indiretas e nem adulando alguém com elogios.
Eu escrevo o que eu sinto!
E sinto muito se não lhe agrada. Eu não vou parar de usá-las.


"Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever."
Clarice Lispector

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Eu e minhas criticas

São seis meses sem escrever.

Talvez pela falta de tempo, talvez pela falta de motivação.

E hoje, mesmo sem tesão, resolvi soltar o verbo, ainda que num relato sucinto, num amontoado de palavras.

A partir de uma conversa rápida com uma psicóloga, a mesma observou e diagnosticou que eu sou "anormal", fora dos padrões.

Adjetivo que muitos não gostariam de ouvir. Mas eu, logo eu, identifiquei-me de imediato com tal observação.
Isto porque realmente eu sou fora dos padrões que a sociedade impõe. Discurso abaixo sobre isto.
Aquilo que eu faço, dentro da moral e bons costumes ensinados dentro de casa, eu faço consciente.

Esta anormalidade citada, foi a partir de um relato sobre a forma que eu vejo a questão da realização pessoal.
Brevemente discorro que, o meu conceito de satisfação/ realização, vai muito mais além do que ser aceita por um modelo proposto seja lá por religião, sociedade, política e etc.
A grosso modo, um exemplo disto, é o modelo imposto desde Adão e Eva, onde as pessoas tenham quase que a obrigação de ter um parceiro, mesmo que este faça-lhe mal.
Tá ruim com ele/ela? Mas tá pior sem.
Tá traindo, enganando, mas ao menos tem uma companhia.
Tá brigando, xingando, humilhando, mas isto é uma das formas de amor.
Será mesmo?
Será que eu esqueci como se relacionar?
Que deve-se tolerar mentiras e agressões e apaziguar todo esse caos para ter um companheiro?
É, se for isso mesmo eu estou desatualizada e fora do padrão.

Mas não é sobre companhia que eu venho relatar. Isso foi só um exemplo.
Eu objetivo argumentar a questão da anormalidade citada versus visão crítica.

Quando eu exponho minha forma de pensar, que eu considero coerente, sóbria, e "despadronizada", eu tenho que aceitar que esta forma seja censurada. Eu tenho que respeitar o padrão alheio, afinal, tudo é uma questão de ponto de vista.
O que prá mim é inadmissível, pro outro é relevante.

O meu modelo,  eu conceituo da forma que eu quero. E para tal, eu assumo os riscos e responsabilidades disso.
O meu modelo, fora do padrão é a busca da satisfação pessoal, em harmonia do meu  interior e o exterior.
É uma luta! 
Diria até, que comparada a segunda gerra mundial, uma varredura estrutural das idealizações.
Isso  dá-se por conta de eu pensar, pesquisar. E mais ainda, de exteriorizar os pensamentos.
E não é por eu ler Osho, Buda, e outros ensinamentos da linha Zen que ensinam a não julgar, que vou deixar de ser observadora.

Fato é que o "não julgar"é um exercício árduo. 
Se eu observo, automaticamente eu estou julgando um comportamento diferente do meu.
O que eu não posso é condenar. Ou posso , desde que  não exponha a minha opinião a respeito.
Tarefa fácil não é, afinal com tantas aberrações que vemos, fica difícil segurar o verbo.

Ai então lá vou eu pras minhas analises auto criticas.
Tenho feito isso. Ao invés de condenar o comportamento alheio, tento entende-lo, e mesmo que não consiga, busco orientação sobre.
Isto porque não quero mais ser injusta. 

Não quero mais...porque já fui. Porque já observei, analisei, critiquei e condenei
Não deixei de ser crítica, de analisar e menos ainda de observar. Deixei de condenar.

E onde esta a evolução nisso?

Em entender que de fato, cada um sabe de si, das suas dores, das suas aspirações, das suas alegrias.

Que ter o "kit felicidade"pronto, que já citei em posts anteriores, basta pra uns e não pra outros.

Uma citação clichê, mas que cabe muito bem aqui: ""CADA UM SABE A DOR E A DELÍCIA DE SER O QUE É".

Aceito, considero!

Porém gostaria de ser aceita também.

Não espero aplausos pela minha conduta, mas espero que esta seja respeitada.

E se o fato de eu ter idéias contrárias a outras pessoas me tornou alguém fora do padrão, que assim seja.

É a minha opinião. E ela muda. Eu mudo, você também muda.
Tudo muda...é a lei da impermanência.

Hoje eu penso assim, amanhã talvez esteja postando uma foto fazendo biquinho na frente do espelho com os dizeres: beijim no ombro.

Sem condenações.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

As gentes

Hoje disponibilizei alguns minutinhos do meu tempo  para discorrer não sobre O Rei do Camarote, tampouco a vinda meteórica do Justin Bieber e seu ataque de estrelismo.

Quero falar sobre gente.
Um breve relato de fatos verídicos.

Conheci na minha última viagem, pessoas que agregaram valor (não ao camarote - desculpa, não há com não satirizar) a minha jornada enquanto ser humano.

Pessoas tão jovens, mas dotadas de características e comportamentos dignos de apreciação.

As vezes achamos que a experiência de vida, leia-se aqui IDADE, é o principal argumento a ser citado frente ao comportamento das pessoas.
Pode ser que sim, mas e quanto a estes jovens, ainda com poucas experiências (idade) em suas jornadas? O que dizer?

Não conheço suas famílias, tampouco suas realidades cotidianas, mas posso de antemão supor que a educação que receberam em casa, na escola, ou até mesmo em convivência com pessoas "não alienadas", é que os tornaram assim.

E que comportamentos são estes que me encantaram?

Primeiro a citar é a educação. Se eu pudesse pontuar, daria nota 10.
Gente que sabe ser receptivo, sabe agradecer, sabe elogiar, sabe ser cordial.

Depois vem a questão de humildade.
Gente que sabe ouvir, que sabe aprender e sabe ensinar também de forma a harmonizar o ambiente.

Gente que usa e abusa do bom senso.
Gente que  brinca/atua com a criatividade.

Culturamente, uma gente que lê, que se abastece de informações, de boa música, de boas histórias.
Gente que conversa, argumenta, expõe opinião.
Gente que, em pouco tempo junto deles, não ouvi falar mal da vida alheia, não ouvi críticas sem fundamento.

Gente que luta por ideais, por idéias, por um mundo melhor.
Gente que apesar de tão nova -  cronologicamente falando - comporta-se como sábios veteranos.

Gente que sinceramente, eu tive o PRAZER imenso de conhecer.

Além de comportamentos dignos sim de elogiar, são "gentes" agradáveis.

Daquelas que queremos ter por perto, por trazer alegria, bem estar, conforto e o melhor de tudo, CONHECIMENTO.

Ainda bem que sou uma pessoa aberta ao novo, ao que chega cheio de boas intenções.
Deve ser por isso, e pela conspiração do Universo, que eu os conheci.

Aqui, meu sincero agradecimento a vocês, gentes de bom coração!
Que esta "amizade a distância" continue disseminando alegria e agregando valor às nossas vidas.

A estas gentes, um saudoso abraço com sentimento de saudades!





terça-feira, 5 de novembro de 2013

A rede

Sim, a rede.

Uma rede que nos enrolamos, muitas vezes tão enrolados (quanta redundância) que ficamos até preso a ela.
Assim, metaforicamente falando, são as redes, as sociais.

Tudo está ali.
Desde as mais estapafúrdias informações, até utilidade pública.
Podemos acompanhar a previsão do tempo, um jogo de futebol, a novela, um evento, podemos viajar através de fotos publicadas.
Podemos divulgar trabalho, vender geladeiras, comprar sapatos usados,  fazer amizades e pasmem, há até quem encontre um amor.

Na rede tudo é possível.
Acessa quem  pode, acessa quem quer.

Vivemos num regime aberto, sem militarismo e, com exceção daquilo que fere a integridade moral do cidadão no que diz respeito ao constrangimento ilegal, calúnia e difamação, tudo é passível de publicação.

Há os que incomodam-se por pouco.
Não se sabe a razão deste incômodo, uma vez que - repito- só está na rede quem quer.
Não é como um RG, CPF, que é necessário ter para tornar-se um cidadão.
A rede social é para quem adere por livre e espontânea vontade.

Verdade que por vezes assistimos publicações que ridicularizam-nos como ser humano, como ser em sociedade. Tratam nossa inteligência como algo subversivo.

Mas a nós é dado o livre arbítrio...de sair do ciclo, de sair da rede.
Existe na rede social Facebook - talvez a mais conhecida e utilizada  -  várias opções para quem ainda incomodado, quer abster-se das besteiras que lê.
Uma das opções é excluir o "amigo" que causa incômodo.
A outra opção, é suprimir os feeds de notícias.
Ou ainda, a opção mais coerente pra quem sente-se tão incomodado com o que vê na rede social, é a opção EXCLUIR CONTA.

A rede é livre, ali cada um mostra o que quer e do jeito que quer.
Cabe então ao usuário peneirar toda a informação e "engolir" apenas aquilo que lhe faz  bem.

Mas ainda preferimos criticar.
E criticamos, porque é atitude inerente do ser humano. É muito mais fácil criticar comportamento alheio, que agir de forma contrário àquilo que se critica.

Desta forma, a exposição de opinião, também é uma maneira de participação em rede.

Cada um propaga o que quer.
Resta salientar que, o mais legal de tudo isso, é poder observar comportamentos através de ações e até omissões.

Cada caso é um caso...mas não estamos aqui para analisar e nem julgar. Deixemos as análises aos psicanalistas e os julgamentos aos juristas.
Volto a dizer: cada um publica aquilo que lhe é cabível, dentro do que acredita e vive.

E não adianta. Todo mundo mostra alguma coisa sim! Atire a primeira pedra aqui, quem não.

E daí se o sujeito publica uma sunga nova que acabara de ganhar da esposa?
Ele que arque com a zoação.
E daí se a fulana publica sua vida baladeira na rede?
Tá incomodado? exclua a dona moça...
É mais prudente agir desta forma, que atirar pedras numa pessoa, que por vezes, nem faz jus a sua "amizade" cibernética.

Quanto ao amor leviano cibernético escancarado?
As juras de amor via internet?
Quem aqui amigo, quem aqui já não as fez?

Na minha opinião, é  clichê, talvez porque EU não esteja amando.
Mas sei que quando se está apaixonado, sente-se a necessidade de gritar aos 4 ventos esta paixão...não acho normal se isto ocorresse na era das cartinhas, afinal, onde publicaríamos estas sentenças de amor? Em jornais?
Mas com a facilidade da internet, publique sim! Demonstre da forma que bem entender.

Os incomodados?

Ah...a estes, toda a licença para que retirem-se!


Antes de finalizar, por mera coincidência, visualizei esta publicação:

Uns mais outros menos ... Mas ficamos todos nos aqui, sem exceçao, presos, mas de mãos dadas, nessa "masturbação coletiva" onde o objeto de desejo é a inveja e/ou egocentrismo...( por Lourenço Carminati).

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

As telas



Bom, eu nem precisaria escrever nada depois desta imagem, mas ainda assim arrisco umas breves palavras.
Vivemos numa época em que as pessoas não querem mais se olhar nos olhos. Preferem as telas.
Talvez seja porque elas, as telas, produzam um efeito diferente através de seus filtros e aplicativos e eticéteras da tecnologia.
Um filtro que embeleza, que enrusti, que maquia um verdadeiro "eu".
Talvez porque estas mesmas telas escondam uma timidez refugiada.
Ou talvez ainda porque ao olharem-se entre telas, o superficial lhes basta, deixando o íntegro, o sumo, o miolo, de lado.
Confesso que eu gosto destas telas.
Gosto de trocar mensagens, perco tempo olhando facebook  e postando fotos e fatos (discorrerei sobre isto no próximo post), mas não troco a companhia de um amigo num bate papo real, pela tela do notebook, Iphone, Ipad ou Inãoseioque.

Evidente que a tecnologia virtual facilita.
A rede dispõe de recursos que nos aproximam de pessoas distantes, separadas pelo oceano, por estradas, por idiomas ou separadas apenas pelo que julgam "falta de tempo".
A rede facilita, mas também engana.
E quando eu falo que engana, não é nem pela produção que sê vê nas fotos, com roupas, e maquiagens, e imagens de fundo.
Engana quanto ao caráter, quanto ao comportamento, quanto ao hábito.

Aquele que se diz "um homem bom", pode ser um mau-caráter. E vice-versa.
A tela não tem detector de mentiras.
A tela não julga e nem proíbe alguém querer ser o que não é.
Ela só mostra. Imagens e caracteres.
E nós vemos, observamos, quiçá analisamos, e se quisermos, acreditamos.

Abonamos uma conduta cibernética que mal sabemos de onde provém.
Mas depois, do facebook pro face to face, aí é que é.

Não estou difundindo nada, nem numerando, nem citando quem, quantos, quais são.
Só abri um comentário sobre o que vem acontecendo, sem generalizar.
Até porque uso, gosto, digito e mostro.

Quase fugindo do assunto, volto na questão que me incomoda.

Seria eu, uma destas milhares de pessoas que não se dão conta que a tela está lhe consumindo?
Consumindo o tempo, os dias através de posts e atualizações sem que se dê conta disso?

Seria eu uma destas pessoas que não vê seu amigo passar na rua porque está "teclando" enquanto caminha?

Seria eu uma compulsiva por SMS e inbox e "news feeds"?

Ò céus...se estou me tornando assim, livrai-me  Senhor.


Se não daqui a pouco vou estar lambendo a tela do computador/celular, ao apreciar uma taça de sorvete com calda de morango.
Ou aproximando o nariz pra sentir o perfume das tantas lindas paisagens que aparecem na tela.
Ou sentindo o arrepio de um toque através de uma imagem.

Não...não quero!

Eu ainda sou do tempo do face to face.
E confesso: prefiro assim.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Escolha

Havia meses que não nos encontrávamos para colocar o papo em dia.
Três mulheres, amigas de tempo, cada qual seguindo sua rotina.
Em comum: a escolha!

Entre uma história e outra, vem a tona o assunto: o que você está fazendo da vida?
Vamos a elas: as escolhas.

Uma delas optou por sair do trabalho porque não tinha tempo de dedicar-se aos estudos.
Outra optou por retornar a cidade de origem após tentativa de morar e explorar os desafios de uma capital.
A terceira optou por um dos seus trabalhos, no caso, o que lhe proporcionara mais flexibilidade de tempo.

Ou seja, cada uma sabe o que é melhor pra si, e que escolhendo um caminho, abrira mão de outro.
"CADA ESCOLHA, UMA RENÚNCIA, ESSA É A VIDA", já cantava o Chorão.
E é exatamente isto.
Não podemos ter/ser tudo ao mesmo tempo.

E ao nos depararmos com uma situação onde é necessário optar por um caminho, analisamos o que é prioridade naquele momento da vida.
Analisamos possibilidades, um plano B caso o A não dê certo.
Análises do geral.

Muitos chamariam de loucura, abrir mão de status, de proventos financeiros mais rentáveis, de oportunidades.
Esses muitos estão olhando sua vida da vitrine.
Porque do lado de fora é fácil opinar, zombar e criticar.
Do lado de fora, mesmo que respingue algo, não os atinge, pois o "vidro"  não deixa que os toque.

É aí então que  assevero que é importante sim ouvir sua família, seus amigos, seu companheiro, enfim, uma opinião de quem está de fora.
É importante, mas não deve ser fator decisório na sua escolha.
Porque ao final, quem vai arcar com as consequências desta, é você. O dono de sua vida!

Abro um parenteses rápido pra relatar um fato pessoal.
Ouvi outro dia de uma colega: "Mas você é louca! Não pára quieta, vive de um lado para outro procurando o que?

Neste momento me calo, penso se devo responder, mas devido a sensatez e tolerância que tem me tomado conta  ultimamente, acho melhor abster-me de explicações que não responderiam a este questionamento.
Um risinho irônico e um "tá tudo certo comigo, obrigado!", respondem.

Quando alguém opta por viver de uma forma livre de padrões, tem de estar preparado para estas situações de desaprovação, descontentamento e digo até de desrespeito. Sim desrespeito! porque você não respeitar o espaço do outro é o que então?

Me abstenho da resposta, mas dentro da minha cabeça há uma série delas.
E então satisfaço-me com a que condiz com o meu modo de viver.

Não estou apenas sobrevivendo no capitalismo.
Estou além disso.
Estou neste mundo não apenas respirando, mas vivendo-o na sua totalidade.
Da forma que EU, dentro dos ensinamentos de Deus e dos valores morais e éticos de família e sociedade, acho mais coerente e satisfatório.

E o que é esta totalidade que citei acima?

É acordar todas as manhãs, agradecer a oportunidade de um novo dia, cumprir com os deveres (trabalho e faculdade), ajudar um amigo, um desconhecido, mesmo que apenas com uma palavra de consolo.
É viajar, é ver a vida acontecendo não apenas pela TV, pela internet, pela janela do quarto.
É dar a cara pra bater, é chorar, é decepcionar-se com as pessoas e perdoá-las.
É entregar-se aos prazeres da vida, desde os mais simples aos mais sofisticados quando possível.
É amar, é ter fé, conhecer pessoas, cheiros, lugares, sabores.
É deliciar-se com músicas, com sons, com poesia e arte.

É muito muito mais que isso. Muito mais que isso!
Não teria espaço para uma página, caso fosse escrever o que é viver além do consumismo. O que é viver além da obrigação de crescer, procriar, trabalhar e comprar.

E porque eu vivo, as pessoas se incomodam.
Não ouso dizer que é inveja, embora há uma parcela disto.
Ouso dizer que é medo de viver.
E ver o outro vivendo, é espantoso!
É preciso ter coragem para viver.
Coragem para assumir as consequências de seus atos, sem culpar pai, mãe, e sociedade.
É preciso ter coragem para viver em liberdade.

E ai então a minha escolha tem sido esta.
Nesta etapa em que me encontro, escolhi viver a vida na sua totalidade.
E  totalidade do outro é diferente da minha.
Respeitemo-nos!

Talvez amanhã eu mude este conceito.
Até porque mudam-se os gostos e mudam-se as escolhas.

Talvez amanhã eu decida que sossegar na sacada do apê, cultivando plantinhas no potinho de margarina seja a melhor escolha.
Talvez eu nem tire o pijama o final de semana todo e me embreague de filmes e noticiários e livros.
Talvez eu tenha até animais de estimação: um cágado ou uma calopsita.
Talvez,
Vou analisar sobre.

Mas enquanto isso, posso continuar vivendo a minha escolha?
Dá licença?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Mascarados ou enrustidos?

O que faz de você, quem você realmente é?

Questionamento amplo, com  incontáveis vertentes para abordar.
Eu vou seguir a linha do comportamento.

O que faz de você quem realmente você é?

Atualmente é difícil definir alguém através de seus atos e comportamentos.

Não só hoje, mas toda a vida, as pessoas nem sempre são aquilo que demonstram ser.
A primeira impressão é que fica; mas é a segunda, a terceira e por ai vai, que vai mostrar quem é quem.

É muito fácil você ser a pessoa mais admirada no grupo por suas artimanhas em "arrancar" risadas de todos.
É muito fácil você ser um ideologista, com idéias de humanismo acima de tudo.
É muito bonito você abrir seu coração, sendo o amigo para todas as horas.
É fascinante você demonstrar ser uma pessoa honesta, de coragem e bom caráter.

Tudo isso seria perfeito, se não lhes fosse compatível o uso das máscaras.

Você pode abrir o armário e decidir que máscara usar hoje.

Tudo é aceito!
Mas nem tudo permanece.

As redes sociais facilitam demais o uso de acessórios.
E a desinformação da grande maioria, acredita que há veridicidade em tudo o que "aparece" na tela.

Mas é na hora do "vamos ver" que tudo desaba.
Que o ideologista vai de encontro àquilo que se pregava,
Que o amigo de coração aberto desaprece,
Que a coragem de dar a volta nos desentendimentos inexiste.

E aí que então podemos observar os comportamentos e certificar-se de que toda aquela bondade, cumplicidade, generosidade e honestidade, não era tão "ade" assim.

Nesse mundo de disfarces, a dificuldade em distinguir o banal do essencial, o sincero do falso, é gigantesca!

Se observamos bem, há indícios de caráter desde o primeiro face to face, mas que  em meio a carências, a superficialidades e banalidades cotidianas, são facilmente confundidos entre o bom e o mau.

E é exatamente na hora da dificuldade, que vem à tona aquela máxima: salve-se quem puder!
Ou seja. Eu vou fazer o que quero para o meu bem-estar e aquilo que vai respingar no outro, é problema dele.
Percebe-se que neste momento, a máscara da cumplicidade fora lançada a esmo.

O que fazer? Nada!
Deixa ir...
Deixa vagar
Deixa perder-se.

Poderia discorrer muito mais sobre o assunto, mas poderia também exceder a "red line" e me perder entre palavras soltas e descabidas.

Então finalizo o texto, afirmando o que realmente tento (tento, mas não quer dizer que consiga), ser 100% autêntica para não me sentir culpada depois, nem taxada de mascarada ou enrustida.




Despojado de máscaras, o ser humano cresce em individualidade e passa a expressar-se de modo mais autêntico. Sincronicamente uma presença luminosa - espírito da vida - emerge de sua essência, projetando-se nas telas vitais por ele matizadas... É essa presença que o torna único e especial, imprimindo em nossos corações as marcas de sua passagem.
Maria Aparecida Giacomini Dóro